"Morte e vida policromática"
"Vingança:um prato que se come frio,até na morte"
Levemente, abri os olhos.No começo minha visão estava esbranquiçada, senti uma forte dor de cabeça e meu cotovelo sobre asfalto quente derramava sangue, sangue pastoso com pigmentos amarelados, de um amarelo esverdeado quase sem cor.Minha visão foi clareando e me vi todo ensanguentado sobre o asfalto, desolado e nu.A princípio senti vergonha, peguei algumas folhas de árvores e cobri as genitárias do meu corpo, que já estava frio.Parecia ter morrido há tempo e, pelo visto, o causador nçao prestara nenhum socorro.No momento, o sangue me subiu a cabeça e as veias pularam sobre minha pele ao ver necrófagos e vermes pululando sobre meu apodrecido corpo.Jurei a mim mesmo que vungaria de quem libertara a alma de meu corpo, como já dizia Platão.
As primeiras cenas que vieram a minha mente foram totalmente policromáticas, a princípio foi azul, depois verde, amarelo e negro.Um negro espesso, cheio de listras vermelhas...interrompendo as cenas , lembrei-me do cadpaver que vira no caminho à festa, inclusive, fui o único que quis "dar assistência"ao mesmo, enquanto os outros desmaiavam e gritavam loucamente.Pirotécnico Zacarias...estas foram as últimas coisas que ouvi e, incrivelmente, vi.Pensei em procurá-los, mas onde?No necrotério não estariam pois deixaram meu corpo a Deus dará.À festa?Seriam tão frios a não darem importância a morte de alguém que estavam em todas festas juntos?Talvez.
Arrastei meu corpo à sombra e fui procurá-los.Antes de ir à festa, passei algumas lojas para que pudesse comprar roupas e chegar intelectualmente ao local desejado, afinal, até para vingança deve-se estar bem arrumado.
Chegando ao local, vi meus "grandes amigos" porém (para eles) eu virara o Pirotécnico Zacarias, foi substituído.O sangue me subiu à cabeça e as veias pularam sobre minha pele, contudo, procurei me acalmar e me divertir como se meu corpo ainda aprisionasse a podridão que estava em minha alma.
Danças, bebidas e prostituição nunca estiveram em tçao larga escala como desta vez.Sobre as diversas cores que compunham a boate, estavam looiras, morenas e ruivas, além das neguinhas que não contam muito.Enfim, fui ao encontro dos meus "brothers".É claro, se assustaram muito com meu estado e, principalmente, com a minha presença.Então, com grande gozo pude estuprar minhas "irmãs" e matar meus irmãos.Enquanto, ao nosso grande amigo Zacarias, sua alma estava preste a ser sugada sobre as tão comuns cores: a princípio azu, depois verde, amarelo e negro.Um negro espesso, cheio de listras vermelhas, de um vermelho compacto, semelhante a densas fitas de sangue.Sangue pastoso com pigmentos amarelados, de um amarelo esverdeado quase sem cor.
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