terça-feira, 8 de junho de 2010

A Márcio: morto pelo sindico

Voados Sonhos

Dois dias, apenas dois dias para a comemoração de meu aniversário, todos estavam felizes.Levado por um desejo ou brincadeira de criança, pedi ao meu pai:

_Papai, compra uma pipa para mim de aniversário.

Como qualquer bom pai que quer agradar o filho, comprou.Todos que conviviam com ele, percebiam em seu caráter um homem trabalhador, alguém que verdadeiramente quer "crescer" e ajudar sua família.Simpatia com os outros?Ah, era o que não lhe faltava, além disso, apesar de ser um porteiro de um condomínio, era sim, um homem muito inteligente, não era levado pela doutrina dos demais, mas exercia tanto o senso crítico quanto o papel de cidadão.Motivo pelo qual quis saber o porquê do sindico trocá-lo por outros funcionários, mesmo com a opinião dos demais moradores sobre a grande qualidade de trabalho que o mesmo possuía.

Em minha casa sempre se escutava assuntos de trabalhos do meu pai, pois desempregado como nos sustentariam?Papai não deixava de se preocupar, do mesmo modo que não deixava de exercer seu papel de pai e além de tudo, de amigo.Sonhos não me faltavam, mesmo minha mãe sendo funcionária doméstica e meu pai porteiro, me orgulho, pois sempre me ensinaram a sonhar e o mais importante, lutar pelos mesmos.

Após um dado beijo, pela manhã, em meu pai e ouvi-lo contar sobre a descussão que tivera no trabalho, saiu como sempre fizera em sua rotina.Porém, ao chegar da Escola, ouvi uma voz dizendo que a rotina de todos os dias, hoje mudariam para sempre.Quis saber o porquê da frase e de todos aqueles prantos derramados por minha mãe e familiares, apenas como resposta me veio:

_Você é muito novo, um menino de oito anos não entenderia o que o destino nos traz, apenas acho que seu pai não mais voltará.

Apesar da dura palavra, a mesma não me desanimou; pois mesmo que meu pai não voltasse, ele me deixou os sonhos e ensinou a sempre ficar na expectativa da realização dos mesmos e foi por tal motivo que na expectativa de sua volta para a comemoração de meu aniversário, mesmo que não seja o de amanhã, mas dos próximos ansiosos anos de minha vida; todos os dias meus olhos hão de se fixar à pipa que voará para sempre em minhas boas lembranças.

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