quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Real x fictício: mecanismo de defesa ou representação de incapacidade?


"Desde o nascimento somos fantasias ou imitações, diferente dos demais animais, não nos adaptamos,com precisão, ao ecossistema sem a utilização de plágios familiares até construirmos nossa própria identidade"


Batman, herói das histórias em quadrinhos e desenhos animados, poupou a humanidade salvando-a da ameaçada destruição promovida pelas maléficas mãos do mestre da anarquia.A personificação da fantasia, existente desde a criação do homem - revelada através da serpente, segundo a Bíblia - decorre justamente da necessidade pela satisfação ilusória para os desejos que não podem ser realizados pelo ser que a utiliza, como bem atesta a especialista em sexualidade humana, Gina Strozzi.


Atualmente, limiar do terceiro milênio, as características tecnológicas surgidas desde a Revolução Industrial têm aumentado concomitantemente, tornando o mundo cada vez mais globalizado e tecnológico em relação aos séculos passados, e, consequentemente, tornando além dos objetos, os seres que aparentemente dominam as tecnologias, mais mecanizados.No entanto, as máquinas passaram a dominar os seres que (a)as criaram, de certa forma que, as mesmas , como computadores, passam a criar "novas vidas" para seu criador.Exemplo disso são os jogos onde jovens , ou até mesmo adultos, a fim de fugir da realidade , criam avatares onde se modelam até chegar a forma esperada - comumente idealizada, já que criam os seres que queriam ser na realidade, pois neste espaço não mais importa o real, mas a representação.


A criação de seres imaginários foi condição "sine qua non"para a mecanização dos seres humanos e leva aos críticos uma visão pessimista e obscura sobre os previstos acontecimentos caos os mesmos se tornem vícios, tais como: perca de identidade pessoal, levando-os a uma possível doença original da alma humana.Essa doença é conhecida como "bovarismo", tendo o nome devido a característica que Emma(personagem-principal de Madame Bovary - considerada obra mais importante de Gustave Flaubert)tinha.Contudo, existem três tipos de bovarismo: um intelectual e um sentimental, e cada um apresenta tantos aspectos "normais" quanto patológicos; o último é o bovarismo clínico que pode ocorrer devido aos citados, sendo que a pessoa que o possui não se dá conta que imagina ser quem não é.


No entanto, deve-se levar em conta a diferença existente entre as concepções bovarismo e neobovarismo.O primeiro consiste em se imaginar diferente do que é; já o último, seria a chance de ser a expressão do que não se é.Portanto, seria mais (convencional)conveniente ao ser que procura fugir da realidade através das fantasias, procurar ser o que realmente quer ser e não imaginar como queria que fosse.

Assim, somos habituados e incentivados a fantasias diariamente sem criticar e nos darmos conta de que a ficção desordenada pode gerar doenças e perca da própria personalidade.

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